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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Eulírico

Eu humano conflito
Eu filho decepciono
Eu frequente ressono
Eu amor palpito

Eu coração anseio
Eu cético duvido
Eu desejo infinito
Eu violão ponteio

Eu métrica soneto
Eu palavra rebusco
Eu decisão esquivo

Eu errante discreto
Eu amante brusco
Eu poeta vivo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Soneto às Frequências Assíncronas

Se fosse eu bem quisto como bem quero
não seria visto como pedante
nem me tratarias tal louco errante
que mergulha em cada amor com esmero.

Se grande me amasses como a amo grande
verterias prantos em meu enterro
não me exilarias pelo meu erro
tolo de impedir que a chama se abrande.

Se pudesses acompanhar meu ritmo
sentirias o galopar frenético
ressonar com as cordas do teu íntimo.

No descompasso do embate sintético
sobra-me a derrota do amor legítimo
frente ao desterro de um temor ilógico.



segunda-feira, 31 de março de 2014

Soneto Reduzido

(ou Soneto dos Monossílabos Átonos e Tônicos Acentuados)


com
um
nó,


vi
que
dá:


sem
dó,

vou
ri
mar.

sábado, 1 de março de 2014

Soneto da Extinção

Por que foste embora?
Tudo o que te fiz foi ser cortês,
dei-te mil abraços de uma vez;
fui-te amigo outrora

mesmo querendo-te namorada.
Que sou eu agora?
Senhor sem senhora,
amigo apenas de temporada.

Não te nego retiro, mulher,
nem vontade de saber de si.
Só lamento teu desvanecer.

Vejo que a perdi
sem sequer saber
se a ganhei um dia.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Soneto da Beleza Horizontal

Quando uma moça é bonita
faz-se mais do que justiça
que, a partir de uma premissa,
dedique-lhe alguma escrita.

Diga a ela que recita
em seu nome, mas sem missa;
Diga-a logo como atiça,
como és bela, senhorita.

Escrevo assim meu endosso
pra que não se acanhe e fale
- como falho - a uma mulher.

Ah! hoje em dia é bom dizer
que tudo acima ainda vale
se bonito for o moço.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

E me perco em divagar

E me perco em divagar
em momentos de perdição
e de alucinação
que me têm, devagar

E assim constantemente.
São séculos de evolução
que passaram às mãos
o que se prendia à mente.

Ouço o que não quero
por estar onde preciso.
E percebo o quão exposto

Eu fico - e espero
não ser mais um indeciso
nem esconder o meu rosto.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Soneto de um Pedaço de Mim

Figura não mais que inútil
torno-me ao perder a peça
desse meu quebra-cabeça
pelo amor que se partiu.

Como, de forma gentil,
jogar pedra na vidraça,
ver o vidro que estilhaça
sem ver o que refletiu.

Fora-me arrancado assim
esse pedaço de mim
e assim deixou-se arrancar.

Metonímia não explica
o meu todo se me falta
a parte que eu sei amar.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Soneto da Incompletude

Que palavras poderei proferir
Se, em tua reserva, faço-me ausente,
Não me atrevo a feri-la, evidente.
Apenas para fazê-la sorrir?

Distância que não se sabe medir,
Na ânsia em fazer passado presente.
Coração vazio de um homem carente
não bate, ocupa-se pelo pungir.

Raiará o dia da redenção.
Correrei os campos da plenitude,
Regarei o meu jardim com amor.

Em soneto italiano, canção
Que entoarei como minha virtude
se tornar a florescer minha Flor.


Que tal uma canção? Clique aqui e deleite-se.