Tristes versos quintos
todos em menor
qual menor é o trilho
que a gota correu
em coches e seges
desde tons azuis
turvos e sem luz
sobre as peles beges
desse rosto teu
a cessar o brilho
dos olhos à cor
de um bom vinho tinto.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Tremeluz
Apaixonei-me nessa manhã.
Não que fosse o amor final,
o desfecho de minha vida.
Mesmo pois esse derradeiro,
bem conheço-me,
não existirá.
O que me fez cair de amores
hoje
foi a gentileza.
A chuva que me pegou - veja só
- de surpresa
foi a mesma que acendeu no peito de bela moça,
trajada em terno e ternura,
uma vela de cortesia.
Como quem se recorda do que lhe passou
há poucos instantes despercebido,
ela parou sob a água, de guarda-chuvas aberto
e coração também,
virou-se a mim e ofereceu:
vai pegar o ônibus? Vem comigo.
Sorri.
Balbuciei um aceite qualquer,
gratidão ainda bêbada de espanto.
Tomei-lhe a sombrinha em mãos
e caminhamos como casal contente
até a catraca da condução,
onde cessou-se nosso brevíssimo caso.
Ela, moça bela,
já dormia no desconforto da janela.
Mal sabia que, tal qual a chuva,
inundou-me de alegria
a sua atenção.
E que sua vela
agora tremeluzia
no meu coração.
Contudo, com tudo
isso,
a vida, conquanto,
ela segue.
Eu desço
e a moça
dorme.
Não que fosse o amor final,
o desfecho de minha vida.
Mesmo pois esse derradeiro,
bem conheço-me,
não existirá.
O que me fez cair de amores
hoje
foi a gentileza.
A chuva que me pegou - veja só
- de surpresa
foi a mesma que acendeu no peito de bela moça,
trajada em terno e ternura,
uma vela de cortesia.
Como quem se recorda do que lhe passou
há poucos instantes despercebido,
ela parou sob a água, de guarda-chuvas aberto
e coração também,
virou-se a mim e ofereceu:
vai pegar o ônibus? Vem comigo.
Sorri.
Balbuciei um aceite qualquer,
gratidão ainda bêbada de espanto.
Tomei-lhe a sombrinha em mãos
e caminhamos como casal contente
até a catraca da condução,
onde cessou-se nosso brevíssimo caso.
Ela, moça bela,
já dormia no desconforto da janela.
Mal sabia que, tal qual a chuva,
inundou-me de alegria
a sua atenção.
E que sua vela
agora tremeluzia
no meu coração.
Contudo, com tudo
isso,
a vida, conquanto,
ela segue.
Eu desço
e a moça
dorme.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Um Dia Qualquer
Instituiu-se, nalgum momento da história,
de consenso e martelo batido,
que aniversário é celebração.
Diz-se ser bom dia, dos alegres,
floridos, de comprazer,
mesmo aos miseráveis,
embebidos nos dissabores do viver.
Assim, qual milagre.
Um dígito que tropeçou,
afeito,
às grades do calendário e
pronto,
nasce o dia perfeito.
Que perfeição instaurada é essa,
de paradoxo e arbitrária,
que nos convence ganhar ano de vida
quando, certamente, caminhamos à morte?
Dia em que nos presenteiam por
ter vencido, à casualidade,
trezentos e sessenta e outros.
Dia, porém, de sorrisos largos,
brilhantes e solícitos.
E também de tímidos
contidos
cumprimentos.
Dia de surpresas de boa-fé,
de manter a cabeça em pé
para envergá-la em pagamento
a quem lhe cedeu um segundo,
e dizer-lhe "obrigado".
Dia de arrependimentos
e de retomadas.
Dizem até de fim de ciclo
e vida renovada.
Dia de acalento
de um abraço apaixonado.
Dia, por fim, de um coitado
que, ao fim do dia,
sentou
e chorou
de alegria.
de consenso e martelo batido,
que aniversário é celebração.
Diz-se ser bom dia, dos alegres,
floridos, de comprazer,
mesmo aos miseráveis,
embebidos nos dissabores do viver.
Assim, qual milagre.
Um dígito que tropeçou,
afeito,
às grades do calendário e
pronto,
nasce o dia perfeito.
Que perfeição instaurada é essa,
de paradoxo e arbitrária,
que nos convence ganhar ano de vida
quando, certamente, caminhamos à morte?
Dia em que nos presenteiam por
ter vencido, à casualidade,
trezentos e sessenta e outros.
Dia, porém, de sorrisos largos,
brilhantes e solícitos.
E também de tímidos
contidos
cumprimentos.
Dia de surpresas de boa-fé,
de manter a cabeça em pé
para envergá-la em pagamento
a quem lhe cedeu um segundo,
e dizer-lhe "obrigado".
Dia de arrependimentos
e de retomadas.
Dizem até de fim de ciclo
e vida renovada.
Dia de acalento
de um abraço apaixonado.
Dia, por fim, de um coitado
que, ao fim do dia,
sentou
e chorou
de alegria.
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