quinta-feira, 17 de abril de 2014

Do Amor Viajante

Amor está nos meandros do rio
de desalentos, fluente à jusante,
erguido pelos ventos de esperança
e chovido em prantos, regresso ao rio.

Diz-se do amor pelas vagas nas orlas
e sua oscilação deitada no mar
como oscila no peito de quem ama
o sangue denso, rubro e navegante.

Diz-se também que as ânsias e receios
que perambulam pelos entremeios
que nem ratos nos bueiros imundos
do coração são infecundo amor.

Mesmo as flores das pradarias vastas
e rasteiras são amor na raiz;
por suas cores, chamariz dos amores
avivados, de fantasias fastas.

Tão cinético o amor, puro e retinto,
que se perde e encontra-se nas metáforas
mundo afora, corre faminto e volta
ao cerne amante, onde se deita e dorme.

8 comentários:

  1. Respostas
    1. Ter partes como você fazem um poema ser tão rico!

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  2. Ótimo poema, Lucas. Estava sentindo falta de novas palavras!

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    1. Obrigado! Eu também estava. Sempre estou. Talvez, porém, eu diminua o ritmo por aqui.

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  3. Suas palavras alcançam meu corpo.

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