segunda-feira, 12 de maio de 2014

Um Dia Qualquer

Instituiu-se, nalgum momento da história,
de consenso e martelo batido,
que aniversário é celebração.

Diz-se ser bom dia, dos alegres,
floridos, de comprazer,
mesmo aos miseráveis,
embebidos nos dissabores do viver.
Assim, qual milagre.

Um dígito que tropeçou,
afeito,
às grades do calendário e
pronto,
nasce o dia perfeito.

Que perfeição instaurada é essa,
de paradoxo e arbitrária,
que nos convence ganhar ano de vida
quando, certamente, caminhamos à morte?

Dia em que nos presenteiam por
ter vencido, à casualidade,
trezentos e sessenta e outros.

Dia, porém, de sorrisos largos,
brilhantes e solícitos.
E também de tímidos
contidos
cumprimentos.
Dia de surpresas de boa-fé,
de manter a cabeça em pé
para envergá-la em pagamento
a quem lhe cedeu um segundo,
e dizer-lhe "obrigado".
Dia de arrependimentos

e de retomadas.
Dizem até de fim de ciclo
e vida renovada.
Dia de acalento
de um abraço apaixonado.

Dia, por fim, de um coitado
que, ao fim do dia,
sentou
e chorou
de alegria.

4 comentários:

  1. A ilusão da felicidade, um dia bom para compensar os outros. Mas é um dia bom sem dúvidas, independentemente de suas razões, aproveitá-lo e ser grato por não ser um dia ruim. Faz bem.

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    1. Sim, sim, fez bem. Mas foi tão volátil... Que até pareceu artificial. Sei que não, foi autêntico, mas deu margem, entende?

      Pior do que febre-terçã.

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  2. Aguardo novas palavras!

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    1. Eu também... Não sei quando virão, no entanto.

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